MANIFESTE-SE
Se isso ocorrer, todas as ações em favor do consumidor ficarão paralisadas! Não permita que ainda mais dinheiro fique nos cofres dos bancos! Preencha os campos ao lado para ASSINAR o manifesto! Sua participação é fundamental!
A quem os bancos mentem? Ao STF ou a seus acionistas?
29 de junho de 2009
Idec, Sindicato dos Bancários e Dieese alertam que enquanto os balanços dos bancos indicam que dívida com os poupadores é inferior a R$ 9 bilhões, a Febraban divulga na mídia e para o Poder Judiciário a cifra de R$ 105,9 bilhões; Idec enviou cartas aos bancos para esclarecer número.
A análise do balanço contábil do ano de 2008 das sete maiores instituições financeiras do país (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú, Santander, Nossa Caixa e HSBC) indica que menos de R$ 9 bilhões estão provisionados para o pagamento de ações cíveis, entre as quais se incluem as relativas aos planos econômicos – a cifra exata é de R$ 8,8 bilhões. A provisão é muito distante do valor divulgado pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e pelo Banco Central como montante da dívida com os poupadores brasileiros – R$ 105,9 bilhões.
O número, que já foi de R$ 180 bilhões - tem sido utilizado pelos bancos na tentativa de atemorizar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), já que desembolsá-lo abruptamente representaria a falência iminente do sistema financeiro. O objetivo é fazer os ministros mudarem de posição no reconhecimento dos prejuízos causados pelos bancos às cadernetas de poupança, quando da implantação dos Planos Bresser e Verão.
Além dessa diferença numérica, as demonstrações contábeis dos bancos analisados ressaltam a saúde financeira e até mesmo o ambiente favorável e as oportunidades que a crise financeira internacional vem propiciando aos bancos brasileiros. Já no documento enviado ao STF, a crise também é utilizada para reforçar a necessidade de todo o Poder Judiciário rever o seu posicionamento, construído há pelo menos 15 anos.
Para Marilena Lazzarini, assessora de relações institucionais do Idec, “se o bancos correm o risco que alardeiam no STF, deveriam explicitá-lo em seus balanços. Alguém não está sendo bem informado: acionistas ou ministros do Supremo e poupadores”.
Como regra, todo balanço deve ser elaborado com prudência, refletindo para o público a real situação financeira da instituição. “A falta de alertas nos balanços para o provável pagamento de cifra de tal monta não faz sentido”, completa Ana Carolina Tosetti, pesquisadora do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.
Buscando dar transparência à essa questão, no dia 18/06, o Idec enviou cartas às sete maiores instituições financeiras, solicitando mais informações sobre os valores provisionados e também sobre as ações judiciais que estão em andamento contra cada uma delas (veja aqui uma delas). O Banco Central, que está referendando o discurso e o número propalado pelos bancos, também será questionado. “O respeito às leis do país, à missão do Banco Central e à responsabilidade social das instituições financeiras exigem que o valor real da dívida dos bancos com os poupadores que recorreram à Justiça até aqui seja demonstrado”, afirma Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Histórico
Em 5 de março de 2009, a Consif (Confederação Nacional do Sistema Financeiro) ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (a ADPF nº165), no STF, pleiteando a suspensão de todas as ações judiciais que discutem o comportamento dos bancos em relação às cadernetas de poupança quando do advento dos Planos Cruzado, Bresser, Collor I e II. Os bancos pretendem também que o STF reveja o posicionamento unânime do Poder Judiciário, inclusive dos ministros da própria Corte Suprema, que já determinou o ressarcimento dos poupadores no caso dos Planos Bresser e Verão.
Do lado dos bancos, o Banco Central foi admitido na ação como amicus curiæ (amigo da corte); do lado dos poupadores, o Idec recebeu permissão do ministro Ricardo Lewandowski, relator da ADPF nº 165, para participar da ação.
Amici, ab ovo
24 de junho de 2009
Em fins de abril o Idec enviou carta ao Banco Central (BC) questionando, basicamente, as razões pelas quais o Banco Central (BC) ingressou como amicus curiæ (amigo da corte) na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) com a qual os bancos tentam suspender no STF todos os processos e decisões judiciais em favor dos poupadores.
Na carta, enviada a Henrique Meirelles (presidente do BC) e a Franscisco José de Siqueira (procurador-geral do banco), o Idec disse estranhar o fato de uma causa particular merecer a defesa intensa e organizada do governo, sobretudo porque não se questiona, na Justiça, a constitucionalidade dos planos econômicos e menos ainda sua necessidade. Colocamos em dúvida a coerência de tal conduta do BC tendo em vista sua missão e função públicas.
A resposta do BC “esclarece” tudo: o órgão não está defendendo interesses particulares, mas “a coletividade”, já que ele zela pela “higidez do sistema financeiro nacional” e pela “oferta de crédito”. Ah, bom!
No artigo de Fábio Barbosa, presidente da Febraban, publicado ontem (23/07) no Estadão, está dito exatamente a mesma coisa: os bancos entraram com a ADPF porque estão preocupados com o governo, com sua autoridade, com seu direito e dever (do governo) de implementar políticas de combate à inflação.
Agora, massa ignara, compreendemos melhor as coisas: o governo está preocupado com os bancos e os bancos estão preocupados com o governo! Amici, ab ovo (desde o ovo, desde o início).
Isso, certamente, será suficiente para termos uma sociedade bem organizada, à prova de crises e, finalmente, harmônica, onde não existem conflitos de interesses e todos zelam pelo bem comum.
É assim no mundo todo
Não tem sido diferente com outros bancos centrais do mundo. O dinheiro público é maciçamente canalizado para ajudar os bancos. Segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado hoje (24/06), somente em 2008 a ajuda ao sistema financeiro nos países ricos foi quase dez vezes maior do que a dada em meio século pelos mesmos aos países pobres. Foram US$ 18 trilhões de ajuda pública aos bancos! E a fome, após muitos anos em reversão, volta a crescer pelo mundo…
A Consumers International, federação que reúne entidades de consumidores de mais de 115 países, acaba de publicar em seu blog uma nota com o seguinte título: Salvam bancos mas ignoram consumidores. O documento, que será apresentado à ONU na conferência especial do organismo sobre a crise econômica, iniciada hoje (24/06), tem como linhas principais os seguintes postulados:
a) uma gande quantidade de consumidores individuais gerem seus assuntos financeiros melhor que muitos governos;
b) os consumidores pobres não são menos competentes que os consumidores ricos; e
c) a intervenção reguladora nos mercados é essencial para evitar que o desenho de produtos financeiros frustre as decisões que consumidores prudentes tomam.
BC envia ao STF “tropa de choque” e documento terrorista sobre suposta insolvência de bancos
22 de junho de 2009
Matéria veiculada no Estadão, na quinta-feira passada (18/06), reproduzia, mais uma vez, o argumento terrorista dos bancos, de que o sistema financeiro quebrará se pagar aos poupadores o que lhes é devido em decorrência das perdas impostas pelos planos econômicos Cruzado, Bresser, Verão, Collor 1 e Collor 2.
O jornal faz referência a um documento elaborado pelo Banco Central (BC) que afirma que alguns bancos podem se tornar insolventes se o Supremo Tribunal Federal (STF) acatar os argumentos dos poupadores que brigam na Justiça. Segundo a notícia, o papelório foi protocolado no STF e também entregue a cada ministro pelos próprios membros da equipe econômica.
No documento terrorista, o BC retoma o número das “perdas” dos bancos: R$ 105,9 bilhões ou 65% do patrimônio líquido dessas instituições ou, ainda, 3,6% do PIB.
A “tropa de choque”, nunca vista reunida assim para defender qualquer questão relativa ao consumidor brasileiro, incluiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do BC, Henrique Meirelles, o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, e o procurador-geral da Fazenda, Luís Inácio Adams.
A estratégia terrorista é tentar ainda conseguir arrancar do pleno do STF (todos os ministros) uma liminar, antes mesmo do julgamento do mérito da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) – a ação da Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif) que tenta suspender todos os processos e decisões judiciais em favor dos poupadores. Se a liminar é dada, tudo fica suspenso. Na primeira tentativa da Consif, o ministro Ricardo Lewandowski negou o pedido.
O terrorismo é tão deslavado que até mesmo o suposto impacto da despesa da Caixa Econômica Federal com a correção das contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é retomado. Mas “só para assustar”, já que não estaria contada nos R$ 105,9 bilhões.
Um personagem terrível da história mundial, mestre da propaganda e do terror, dizia que uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade.
Leia as matérias publicadas no mesmo Estadão e na Isto É Dinheiro, em que Marilena Lazzarini, assessora de relações institucionais do Idec, rebate os números do BC.
É importante que você também escreva às seções de leitores dos jornais, rebatendo esta ladainha dos bancos.
A turma do “quanto pior, melhor”
Os bancos querem com tudo isso aproveitar ao máximo o cenário de crise econômica mundial, o que levaria os ministros do STF a negar o já repetido e repisado pela Justiça.
Assim, o governo ora diz que a crise já passou, que foi “só uma marolinha”, ora diz que estamos na corda bamba.
Não custa lembrar: se realmente o Tesouro ou qualquer um tivesse que entregar uma quantia equivalente a 10% do que dizem na mão do consumidor, esta seria, sem dúvida, a melhor medida jamais tomada por um governo brasileiro para combater crises econômicas.
Alguém aí se lembra dos mais de R$ 100 bilhões injetados pelo BC em outubro de 2008 no sistema financeiro? Pois é, o objetivo dessa dinheirama era manter o fluxo do crédito mas, na ocasião, até mesmo alguns setores da indústria e comércio disseram que o dinheiro estava “empoçado” nos grandes bancos.
Oito meses depois o dinheiro ainda não chegou aonde devia. Você, poupador, consumidor e pequeno empresário, leu hoje que a última pesquisa nacional do Sebrae-SP diz que falta de crédito afeta 42% das microempresas?
Onde será que foram parar os mais de R$ 100 bilhões aliviados do compulsório?
Ato contra bancos na praça do Patriarca, amanhã, às 12h
8 de junho de 2009
O Idec e o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e região realizam um ato público amanhã (09), às 12h, na praça do Patriarca, na capital paulista, para protestar contra diversos abusos dos bancos.
O protesto é contra a chamada comissão de permanência, que está sendo julgada no Superior Tribunal de Justiça, e também marca o repúdio à ADPF nº 165, ação pela qual as instituições financeiras tentam barrar no Supremo Tribunal Federal as vitórias que os poupadores estão obtendo na Justiça para reaver a correção das cadernetas que foi perdida nos planos econômicos.
Compareça! Manifeste-se! Detenha o poder dos bancos!
CARTA ABERTA AO PRESIDENTE LULA
28 de abril de 2009
Senhor presidente,
Os brasileiros sofrem com o mais novo golpe disparado pelos bancos. Carregam também a indignação de ver seu governo virar-lhes as costas e declarar apoio aos bancos!
As ações judiciais que reivindicam as perdas das cadernetas de poupança não questionam o mérito ou a constitucionalidade dos planos econômicos, mas a aplicação retroativa que os bancos deram a eles.
O Banco Central do Brasil pediu para participar, ao lado dos bancos, da ação proposta no STF para frear as milhares de decisões favoráveis aos poupadores, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que o governo fechou posição contra os poupadores.
Os valores que os bancos terão que devolver aos cidadãos representam migalhas perto de seus expressivos lucros e, portanto, não têm como abalar a estabilidade do sistema financeiro. São cerca de R$ 29 bilhões, enquanto somente em 2008, apenas Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander/Real e Itaú/Unibanco lucraram R$ 30,9 bilhões.
Diante dos altíssimos lucros dos bancos, não podemos acreditar que eles não estejam preparados para pagar esta conta, ainda mais que isso ocorrerá ao longo de muitos anos, conforme o término de cada ação judicial.
Enquanto o Poder Judiciário, em todas as suas instâncias, já reconheceu a dívida dos bancos para com a sociedade, o Banco Central e o Ministro Guido Mantega saem em defesa dos bancos?
Senhor presidente, esperamos, confiantes, que Vossa Excelência manifeste-se contra a atitude dos bancos e do Banco Central e demonstre que seu governo quer que os cidadãos continuem a confiar na caderneta de poupança.
Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

